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Bolsonaro é igual aos outros e tem de explicar o enriquecimento de sua família

BOLSONARIO

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Carlos Newton

 

Quem frequenta a “Tribuna da Internet” sabe que se trata de um espaço jornalístico aberto a todas as tendências e ideologias, que não faz campanha para candidato algum. Muito pelo contrário, costuma criticar todos eles, sem exceção. O blog tem por objetivo publicar os mais importantes artigos e reportagens do momento, para que sejam discutidos aqui. Para nós, nunca foi nenhuma novidade o enriquecimento de Bolsonaro, um assunto tocado aqui insistentemente por Antonio Santos Aquino, desde o início da Lava Jato, muito antes de Bolsonaro se lançar candidato. Aquino, aliás, sempre citava especificamente a mansão na Barra da Tijuca, que agora ficou tristemente famosa.

Eu sempre critiquei o aproveitamento que Bolsonaro fez da política para eleger toda a família, incluindo a primeira mulher. Sempre achei isso horrível, certa vez lembrei até um episódio em que eu estava no Senado com Barbosa Lima Sobrinho e o acompanhei ao gabinete de Jarbas Passarinho.

TUDO EM FAMÍLIA – Na conversa, o senador Passarinho comentou que o maior problema dos políticos era a família. “Geralmente, todos os parentes querem se beneficiar da política, pedem empregos e regalias, é uma chatice”, disse-nos Passarinho. E Barbosa Lima Sobrinho, que tinha sido governador de Pernambuco, concordou com a observação.

No caso de Bolsonaro, aconteceu exatamente o contrário – ele é que incentivou a família inteira a entrar na política, para se elegeram com o sobrenome, a começar por sua primeira mulher, quando os filhos ainda eram de menor.

Conheci o capitão/deputado em 2003, quando voltei a trabalhar no Congresso. Nunca dei importância a ele, até porque Bolsonaro jamais teve importância alguma, era solenemente desprezado pelos parlamentares, pelos jornalistas e pelos funcionários da Câmara, não lembro de ninguém que se pudesse dizer que era amigo dele, que fazia questão de não se aproximar de ninguém e vivia mudando de partido. Desde que foi eleito pelo PDC em 1990, ele passou por PP, PPR, PPB, PTB, PFL, PP de novo, PSC e PSL.

DEPUTADO OMISSO Na Câmara, sempre se soube que Bolsonaro era um deputado omisso e que só gostava de aparecer na hora certa, em apresentações histriônicas e até patéticas.

Em 2007, no primeiro governo Lula, quando o chanceler Celso Amorim mandou a representação brasileira na ONU assinar o tratado internacional que dá independência política, econômica e territorial a todas as reservas indígenas, a “Tribuna da Imprensa” de Helio Fernandes me mandou a Brasília para fazer a cobertura.

Tinha sido um crime de lesa-pátria, nenhuma nação importante assinou o tratado, mas o Brasil fez questão de apoiar. Significava que, de uma hora para a outra, o país perderia cerca de 20% de seu território, onde se localizariam mais de 200 nações indígenas, que se tornariam independentes, vejam que irresponsabilidade.

UMA DECEPÇÃO Quando cheguei na Câmara e procurei os principais parlamentares da Amazônia (entre eles, Arthur Virgílio, Tião Viana e Mozarildo Cavalcanti) foi uma surpresa saber que nenhum deles tinha conhecimento do assunto. Municiei-os de informações e fui procurar deputados que pudessem lutar contra essa maluquice diplomática. Um deles foi Jair Bolsonaro, que também desconhecia a assinatura do tratado na ONU. Pensei que fosse subir à tribuna e fazer um discurso inflamado, mas ele não fez absolutamente nada.

Percebi que Bolsonaro não tinha a menor representatividade junto à cúpula das Forças Armadas, porque os chefes militares tinham sido informados pela Maçonaria, estavam preocupadíssimos, mas não passaram nenhuma informação ao deputado.

Na época, a solução encontrada pela Forças Armadas e pela Maçonaria foi pressionar o governo do PT a não remeter ao Congresso o tratado, para ratificação. Só posso dizer que nosso trabalho teve êxito, mas dele Bolsonaro não participou. Já se passaram mais de 10 ano e o acordo internacional até hoje não chegou ao Senado. Consequentemente, não houve a independência das nações indígenas.